domingo, 25 de março de 2012

sozinha eu sigo

Quer mesmo saber o que penso de tudo isso? Você foi um covarde. Um completo idiota. Um palhaço, um mané, um bosta, um escroto, um imbecil. Eu poderia ficar horas e horas falando coisas sobre você. Você e suas atitudes (ou seria a falta delas?). Mas prefiro me calar e deixar passar. Porque uma hora passa, dizem. Uma hora o tempo cura, insistem. E eu espero, sinceramente, que passe. Porque se não passar eu não sei o que vou fazer. Não sei o que fazer com o seu perfume que ficou nas minhas blusas. Não sei o que fazer com seu cordão que colocou em mim – achei lindo - no dia que decidiu pegar o beco. Não sei o que fazer com aquelas fotos que tiramos e ainda esta pra revelar. Não sei o que fazer com a falta dos “bom dia”. Não sei o que fazer com tanta saudade. Eu não sei, não sei mesmo, o que fazer com esse sentimento dentro de mim. Você não podia ter desistido tão fácil. Era pra você ter lutado. Era pra você ter sido mais forte. Era para o nosso amor ter sido mais forte. Dizem por aí que o amor tudo vence. Mentira. Mentira pura. O amor é só uma palavra de quatro letras que dá certo pra alguns. Pra mim ele nunca deu, olha só que novidade, pra mim as coisas nunca deram certo. Deu certo para aquela colega, que hoje segue linda e usa calça nº36. Deu certo para a vizinha do lado, que vem todo dia fofocar aqui. Deu certo para a minha amiga da escola, que passou num concurso público, ganha mais de R$20.000,00 por mês e casou com um marinheiro bonitão. Deu certo pra moça que trabalhou aqui em casa, que é feliz pra cacete junto com o marido e os dois filhos. Deu certo pra toda essa gente que adora anunciar aos quatro ventos o quanto é feliz, bem-sucedida e bem amada. Deu certo para a minha prima, que nem ganha tão bem, mas é muito bonita, e amada. Sabe o que é isso? É a-m-a-d-a. Amada como eu não fui por você. Amada como eu não fui por homem nenhum até hoje. Me pergunto: será que um dia vou ter essa sorte? Será que algum dia eu vou ganhar nessa loteria que é o amor? Porque eu achava que era você. Que era com você que eu ia casar. Que você seria o pai dos meus filhos lindos e bochechudos. Que você e eu dividiríamos as escovas de dente, as meias e a vida. Mas me enganei. Você foi fraco, você não conseguiu lutar, você sentiu medo, você fez as malas, você não pagou a conta de luz e me deixou no escuro. E sozinha. Eu não entendo. Honestamente, é demais pra mim. Como pode uma pessoa dizer que ama, fazer juras de amor e milhares de promessas baratas e num belo dia resolver ir embora? Como pode a pessoa te telefonar depois de um dia lindo a dois e dizer, chega. Chega, não dá mais, eu não consigo mais, é muito difícil viver junto com alguém, dá muito trabalho e não tenho toda essa disposição. Pra amar tem que estar disposto. Tem que encarar de frente qualquer coisa que vier. E você não foi capaz de arregaçar as mangas e lutar junto comigo. Mas eu vou sobreviver. Ninguém morre de amor, por mais que doa, não é verdade? Vou juntar os cacos, costurar os pedaços e seguir em frente. Porque é a coisa certa a ser feita. E antes da gente se importar com alguém a gente precisa se importar com a gente mesmo. Parece auto-ajuda, parece fácil, mas não é. Eu me importo comigo. E me importava com você. Antes do amor ser feito de dois, ele é feito de um. Por isso, sozinha, eu sigo. 

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